Adoçantes: implicações para os dentes e a nutrição.
O adoçante substitui o açúcar?
O adoçante é considerado um substituto do açúcar em relação ao paladar. No entanto, é preciso esclarecer que, enquanto o açúcar é calórico, os adoçantes podem ou não conter calorias.
Os adoçantes evitam a cárie dental?
O açúcar ou sacarose é o alimento principal das bactérias que provocam cárie. Os adoçantes não são aproveitados por elas da mesma forma; logo, quando há oferta de adoçantes substituindo a sacarose, o número de bactérias diminui. No entanto, é muito importante lembrar que vários fatores atuam em conjunto para provocar a cárie. Assim, a prevenção não pode ser direcionada para um único fator. Além disso, a substituição da sacarose por outros tipos de carboidratos mais complexos (menos utilizados pelas bactérias), seria a escolha mais saudável.
Os adoçantes têm contra-indicação para a saúde geral?
Desde que os adoçantes sejam ingeridos dentro da quantidade recomendada (muitos produtos dietéticos possuem em seu rótulo a dose máxima diária), não há problema. Deve-se tomar cuidado com os adoçantes constituídos de álcool poliídrico (sorbitol, xilitol, maltitol), que não devem ultrapassar a dose de 50 g/dia sob risco de provocarem diarréia. Outro fato a ser lembrado é que o aspartarme, por ter fenilalanina, é contra-indicado para pacientes fenilcetonúricos (que não conseguem metabolizar a fenilalanina), sendo este distúrbio muito raro na população (1:16.000).
As crianças podem ingerir adoçantes?
Sim, as crianças podem ingerir adoçantes, mas normalmente recomenda-se apenas para aquelas que realmente têm indicação para o seu uso, como as diabéticas e, em algumas situações, as obesas (indicação médica). No entanto, em relação às crianças com risco aumentado para a cárie dental, o ideal é manter um controle na ingestão de sacarose, tanto na freqüência quanto na quantidade, e reforçar os outros meios preventivos.
O açúcar em forma de sacarose faz falta para crianças?
O açúcar é um alimento considerado uma fonte importante de carboidrato de absorção rápida. Atualmente, têm-se dado maior ênfase à utilização de carboidratos complexos em detrimento dos simples (de absorção rápida), não apenas devido ao aumento da prevalência de obesidade infantil, mas também como uma forma de prevenção de cárie. Portanto, desde que os carboidratos sejam consumidos na quantidade recomendada (55-60% do valor calórico total da dieta), não há necessidade de se consumir especificamente o açúcar, podendo ser ingerido outro tipo de alimento que seja fonte desse nutriente, principalmente os não-processados, como os integrais.
O uso indiscriminado de refrigerantes diet (com adoçante) faz mal à saúde?
Como ocorre com qualquer alimento, o uso indiscriminado dos adoçantes não é indicado, devendo, portanto, haver moderação. Alguns adoçantes sintéticos como aspartame, sacarina, acesulfame-K e sucralose são aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) e, portanto, têm uma regulamentação maior para as doses máximas recomendadas. Os estevosídeos (stévia), apesar de muito utilizados na América do Sul, não são aprovados pela FDA e, portanto, não têm uma regulamentação específica quanto a doses máximas permitidas. O ciclamato de sódio foi proibido pela FDA, mas novos estudos comprovaram que a dose tóxica é muito alta, e, por isso, cogita-se a sua reaprovação. Os refrigerantes diet utilizam, em geral, uma mistura de aspartame, sacarina e ciclamato de sódio. A chance de se chegar à dose máxima desses componentes é, praticamente, teórica. Levando-se em conta que os estudos ora aprovam, ora condenam os diversos adoçantes, e tendo em vista que os órgãos controladores seguem os estudos para aprovarem ou não o uso, o mais sensato é utilizar pouco.
E em relação aos chicletes "sugar-free"?
São melhores que os que possuem açúcar, mas deve ser observada a quantidade recomendada. Além disso, o fato de não terem açúcar e estimularem a salivação faz com que ajudem na proteção contra a cárie. Isso vale principalmente para o chiclete com xilitol, pois esse adoçante tem uma ação antibacteriana.
As gestantes podem consumir produtos com adoçantes?
Sim, desde que tenham orientação para a ingestão de uma dieta equilibrada e não utilizem esses produtos em excesso. O aspartame poderia trazer problema no caso de a criança ser fenilcetonúrica, mas esse distúrbio, como dissemos, é muito raro. A sucralose (splenda) é liberada pela FDA para gestantes, pois ela não é absorvida no intestino.
Anestesia
É o ato de suprimir os estímulos dolorosos através de um medicamento anestésico.
Qualquer pessoa pode tomar anestesia?
Antes disso, a pessoa deve responder a um breve questionário de saúde, padronizado pela ASA (Sociedade Americana de Anestesiologia), que determina o risco anestésico e cirúrgico. Com base em suas respostas, o profissional terá condições de informar se ela está apta a submeter-se a tratamento odontológico com anestesia. Mas, para seu conforto, já lhe adianto que esse procedimento é muito seguro e que a variedade de medicamentos disponíveis proporciona muita segurança.
Existe contra-indicação?
Sim, e elas podem estar relacionadas ao agente anestésico ou ao vasoconstritor. Com relação ao vasoconstritor, os pacientes com pressão alta não tratada ou não controlada, doenças cardíacas graves, diabetes mellitus não controlada, hipertireoidismo, feocromocitoma, sensibilidade aos sulfitos e usuários de antidepressivos tricíclicos, compostos fenotiazínicos, cocaína e "crack", têm limitações no uso de anestésicos.
Uma pessoa com 70 anos também pode tomar anestesia?
Com o passar da idade, muitas alterações podem aparecer, as quais podem contra-indicar ou não o procedimento. Como foi explicado no item acima, se o paciente apresentar algumas dessas alterações, o uso do anestésico pode estar temporariamente contra-indicado. Nesse caso, ele é encaminhado ao profissional médico habilitado e, após a sua liberação, o procedimento de anestesia é realizado.
Gestantes podem tomar anestesia?
Sim, o estado de gravidez não contra-indica o procedimento anestésico. Porém, se for possível, é mais aconselhável o uso da anestesia entre o terceiro e o sexto mês de gestação.
Existe o risco de choque anafilático?
Sim, porém é muito pequeno, uma vez que as respostas ao questionário de saúde orientam o profissional sobre o possível risco de choque anafilático.
Quais são os tipos de anestesia?
De uma maneira bem abrangente, a anestesia pode ser local ou geral. A anestesia local é administrada pelo cirurgião-dentista no próprio consultório. A geral deve ser feita pelo médico anestesista em hospital ou clínicas apropriadas.
O que é sedação consciente?
É um procedimento realizado pelo cirurgião-dentista e pelo médico anestesista, a fim de proporcionar maior conforto ao paciente, em casos de pacientes ansiosos ou com medo de ir ao dentista. Esse procedimento é realizado combinando-se a ação do anestesista (através de medicamentos relaxantes) com a do cirurgião-dentista (por meio de anestésicos locais), proporcionando conforto e eficiência anestésica em grandes procedimentos ambulatoriais.
Por que, às vezes, a anestesia demora mais para passar?
Provavelmente devido ao tipo de tratamento realizado. O profissional irá escolher o tipo de técnica, a quantidade e o medicamento. Nesse caso, quando o procedimento é simples, geralmente a anestesia passa rapidamente, ao contrário do que acontece em procedimentos longos, nos quais o profissional necessita de maior quantidade de anestésico.
Qual é a quantidade máxima de anestésico que se pode tomar?
Geralmente, os medicamentos são feitos para, em média, serem administrados 10 tubetes de anestésico em dose de segurança. Deve-se lembrar que o medicamento é composto pelo agente anestésico e pelo vasoconstritor. Em alguns casos em que está contra-indicado ou restrito o uso do vasoconstritor, a quantidade deve ser diminuída.
Como eu posso tomar uma anestesia sem dor?
Quando se pensa em anestesia, a primeira lembrança é o desconforto devido à picada da agulha, mas isso não mais ocorre. Hoje, com os cuidados pré-anestésicos que envolvem desde a utilização de medicamentos tranqüilizantes até o uso de anestésicos tópicos fortes, o incômodo do procedimento de anestesia diminuiu muito, chegando a não ser notado, dependendo da relação de confiança entre o paciente e o profissional.
Existe algum aparelho que aplique a anestesia para proporcionar conforto?
Sim. O conforto durante a anestesia é estabelecido quando uma pequena quantidade de anestésico é injetada continuamente por um maior período de tempo. Um aparelho dotado de microprocessador pode injetar a anestesia de forma lenta e contínua, diminuindo o desconforto do procedimento de anestesia.
Referência: Revista da APCD.
Cárie
Doença transmissível e infecciosa. Ela acontece quando há a associação entre placa bacteriana cariogênica, dieta inadequada e higiene bucal deficiente. Quando o açúcar entra em contato com a placa bacteriana, formam-se ácidos que serão responsáveis pela saída de minerais do dente.
A cárie - o processo se inicia quando ácidos resultantes realizados pelas bactérias dão origem a uma dissolução dos sais do cálcio que formam a dentina. Na produção desses ácidos participam ativamente bactérias e enzimas. Os espaços entre os dentes, além de irregularidades de formação, retêm freqüentemente detritos resultantes da própria mastigação, resíduos esses de alto teor de hidratos de carbono (açúcar), os quais são atacados por bactérias e fermentam. Resultam na produção de ácidos que abrem brechas microscópicas na armadura dos dentes, as bactérias se infiltram e vão atacar as substâncias orgânicas que formam a dentina.
O que é placa bacteriana?
A placa bacteriana é uma espécie de película composta de bactérias vivas e de resíduos alimentares que se depositam sobre e entre os dentes. Ela é cariogênica quando bactérias capazes de causar a doença cárie estão presentes na sua composição.
Meus dentes podem ser pouco resistentes à cárie?
Existem algumas doenças que podem alterar a composição dos dentes, levando à má-formação dentária. Além disso, todos os dentes são mais susceptíveis à cárie quando erupcionam, pois ainda não estão com a calcificação completa. Isso só será um problema se houver acúmulo da placa bacteriana cariogênica sobre os dentes, pois esta permitirá que a lesão se inicie. Indivíduos com deficiências físicas ou mentais que apresentam dificuldades na limpeza dos dentes devem ser supervisionados durante a escovação. Portanto, independentemente de os dentes serem mais ou menos resistentes, o importante é que a limpeza dos dentes seja realizada de maneira adequada.
Quais são os alimentos mais cariogênicos?
Há alimentos que protegem contra a cárie? Os alimentos mais cariogênicos são os que apresentam açúcar na sua composição: os doces, as balas, os caramelos, os chocolates, os chicletes e os refrigerantes são exemplos desses alimentos. Existem alguns alimentos que escondem o açúcar na sua composição, como a mostarda e o ketchup. Todos esses alimentos podem ser consumidos, mas de maneira racional, isto é, junto às principais refeições, seguindo-se a escovação. A freqüência com que se come o açúcar é muito importante: quando você ingere açúcar, os seus dentes ficam expostos aos ácidos produtores de cárie. O açúcar também pode estar presente em medicamentos, líquidos e xaroposos, portanto, após ingeri-los, é preciso escovar os dentes. A ingestão de farináceos e salgadinhos, principalmente entre as refeições, é um hábito considerado pouco saudável, quando se pensa em prevenção da doença e, portanto, deve ser evitado. Por outro lado, existem alimentos como o queijo e o leite que são considerados protetores dos dentes. Eles apresentam alto conteúdo de cálcio e fosfatos, que protegem contra a desmineralização do dente.
O mel ou o açúcar mascavo podem substituir o açúcar sem danos aos dentes?
Esses alimentos são ricos em açúcares facilmente transformados em ácidos pelas bactérias cariogênicas. O hábito de adoçar alimentos ou lambuzar a chupeta com mel pode provocar lesões de cárie, portanto, deve ser evitado.
Como posso saber se tenho cárie?
A identificação das lesões de cárie pode ser feita através da visão direta dos dentes e do emprego do fio dental. Antes de observar a superfície dentária, há necessidade de remoção da placa bacteriana que a recobre. Portanto, você deve fazer o auto-exame após escovar seus dentes e em local bastante iluminado. Essa doença se estabelece antes de as cavidades serem vistas nos dentes. Portanto, procure alguma alteração de cor como manchas brancas ou acastanhadas na parte superior dos dentes (sulcos e fissuras) e entre os dentes. Em um estágio mais avançado da doença, as manchas podem evoluir para cavidades e os sintomas já começam a aparecer: dor quando mastigamos alimentos doces ou quando bebemos algo quente ou gelado, causando desconforto e mau hálito. O fato de o fio dental ficar preso entre os dentes também pode ser um sinal de lesão de cárie.
Como posso combater ou prevenir essa doença?
Controlando os fatores que podem ajudar no aparecimento das lesões de cárie. Dentre esses fatores, podem ser citados: evitar a ingestão de alimentos açucarados – caso não seja possível, você deve ingeri-los junto às principais refeições – e limpar os dentes de maneira adequada, utilizando escova, fio dental e pasta de dente com flúor. O flúor é um importante auxiliar no combate à cárie pois previne a desmineralização, isto é, a saída de minerais do dente e favorece a remineralização, que é a entrada de minerais em pequenas lesões de cárie (lesões de manchas brancas ou acastanhadas opacas), antes que elas se tornem cavidades. A limpeza deve ser realizada sempre após as principais refeições e antes de dormir. É importante visitar seu dentista regularmente para que ele possa, através do exame clínico, controlar sua saúde bucal e orientar sobre qualquer dúvida que possa surgir com relação à mesma. Existe vacina para a cárie? Apesar dos estudos feitos até agora, não podemos contar com uma "vacina" que previna a cárie dentária.
Referência: Revista da APCD.
Clareamento Dental a Laser
Introdução:
O clareamento dental a laser é uma forma moderna de clarear
os dentes sendo mais rápida que o clareamento caseiro e mais
confortável, pois é feito só no consultório.
Descrição:
Em todo novo procedimento os dentistas têm preocupações em
relação ao conforto e segurança dos pacientes, além do desejo de
poder proporcionar os melhores resultados.
O clareamento dental com laser é um método avançado que
melhora o conforto, a segurança e diminui o tempo de contato do gel
de clareamento com o dente, respeitando os tecidos gengivais e não
prejudicando o esmalte dental.
Na técnica caseira precisávamos de no mínimo 15 dias de uso de
moldeira com o gel; na técnica com laser e LEDs em 1 ou 2 sessões,
de uma hora e meia cada uma, conseguimos o mesmo resultado. Se
houver sensibilidade esta será mais amena e facilmente controlada
no mesmo dia pelo dentista.
É lógico que neste processo o cirurgião dentista deve fazer um
bom diagnóstico para saber as causas da alteração de cor do dente
e poder esclarecer ao paciente qual a previsão do seu clareamento
individualmente.
É importante salientar que cada caso é um caso assim em cada
paciente o resultado pode ser diferente de um outro de acordo com a
estrutura dental.
A ação do material de clareamento é na dentina (parte interna
do dente logo abaixo do esmalte dental).Assim o material passa
pelas porosidades do esmalte até chegar à mancha escura dentro da
dentina, diminuindo a intensidade da cor.
As limitações do clareamento dental não estão apenas relacionadas às técnicas escolhidas, mas principalmente ao conhecimento dos
limites de cada dente: por exemplo, as faixas de tetraciclina são mais
difíceis de clarear, resinas, próteses e porcelanas não clareiam. Se
o paciente tiver restaurações nos dentes anteriores ou próteses as
mesmas deverão ser trocadas após o tratamento.
Os dentes que são escurecidos devido a tratamentos de canal mal
sucedido, precisam de uma técnica de clareamento interno associado
ao clareamento dos outros dentes.
O paciente deve ainda ser informado sobre os procedimentos a
serem adotados durante o clareamento através de um termo de
esclarecimento consentido que deve conter explicações sobre
a técnica, o produto utilizado, os benefícios e limitações do
procedimento.
O tempo médio de duração do clareamento varia 1 a 2 anos de
acordo com os hábitos alimentares de cada pessoa como cigarro,
café, chás, etc.
A indicação de um novo clareamento laser e LEDs pode ser feito
após 1 ano em média.
O clareamento é uma técnica segura desde que seja feita por um
profissional ( dentista). Por isso se um paciente quiser clarear os
seus dentes ele deverá procurar o seu dentista, visto que o produto
pode manchar os dentes ou causar sensibilidade se tiver dentina
exposta.
O laser no clareamento dental pode ser utilizado de duas formas:
Para ativar o gel de clareamento (Laser de Argônio, Laser de
Diodo Cirúrgico)
Para diminuir a sensibilidade dental inerente à todas as
técnicas de clareamento, neste caso um laser de Diodo
Terapêutico em baixa potência (<70mW) previne a
sensibilidade enquanto um sistema de diodos LEDs azuis
realiza o clareamento. Esta conjugação permite um resultado
eficiente com menos sensibilidade para o paciente.
Principais indicações do clareamento a laser:
Pacientes fumantes
Pacientes com dentina exposta (dentes com sensibilidade), pois
a técnica permite a proteção das áreas com dentina exposta.
Pacientes com os dentes manchados devido ao uso de
antibiótico quando criança (com o laser conseguimos
resultados melhores em relação ao método de clareamento
caseiro pois conseguimos dirigir o clareamento só na região
das faixas escuras do dentes)
Cuidados pós operatórios
Durante 24 horas após o clareamento o paciente deve:
Evitar alimentos e bebidas com corantes (coloridos). Ex. Chá,
café, chocolate, molhos
Evitar dieta ácida. Ex. Sucos, refrigerantes, etc.
Evitar fumar
Quanto tempo dura a sessão de clareamento?
Normalmente dura 2 sessões de uma hora e meia, podendo alguns
casos ser realizado em uma única sessão neste caso as arcadas
superior e inferior são clareadas no mesmo dia.
O clareamento com laser e LEDs é um procedimento não invasivo
que permite de maneira segura clarear os dentes escurecidos
restabelecendo a estética do sorriso.
Nota: o clareamento é uma técnica segura desde que seja feita por
um profissional (dentista). Por isso se um paciente quer clarear os
seus dentes em casa, o mesmo tem que ser feito acompanhado pelo
seu dentista, visto que o produto pode manchar os dentes ou causar
grandes sensibilidades se tiver dentina exposta no dente.
Material escrito pela:
Dra Fátima Zanin - Instituto Brugnera e Zanin
CRO 19633-SP
Doutora em Clínicas Odontológicas pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro – UFRJ
Mestre em Dentística pela Universidade Camilo Castelo
Brando – UNICASTELO – SP
Herpes Labial
O herpes simples é uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus chamado Herpes hominis virus. Existem dois tipos de vírus do herpes simples: o tipo 1 e o tipo 2. Geralmente, o tipo 1 é responsável pelos casos de herpes labial, e o tipo 2, pelo herpes genital.
Como acontece a transmissão do vírus?
A infecção pelo herpes se dá através do contato direto com lesões infectadas pelo vírus. Esse primeiro contato se dá, invariavelmente, durante a infância. A situação mais comum de contágio é aquela em que algum dos pais (ou parentes próximos) é portador do vírus, apresenta as lesões em lábio e entra em contato direto com a pele da criança.
O que acontece depois que a criança se contamina?
Após o contato com as lesões, a pessoa passa por uma fase de incubação do vírus, que dura em torno de 10 dias. Após esse período, algumas crianças podem apresentar a primo-infecção herpética ou estomatite herpética primária. Essa fase é marcada por manifestações clínicas, como febre, mal estar geral, irritabilidade, cefaléia, perda de apetite e linfadenopatia. A seguir, podem surgir bolhas na boca, nos lábios e na pele em torno dos lábios. Logo as bolhas se rompem, formando úlceras extremamente dolorosas e sangrantes. O quadro clínico tem resolução espontânea em cerca de 15 dias. Apesar da severidade da manifestação primária do herpes, apenas 1% dos pacientes que são infectados pelo vírus desenvolvem a doença clínica: 99%, apesar de infectados, não apresentam sinais ou sintomas clínicos.
Mas não são os adultos que apresentam a doença com mais freqüência?
Sim. Na verdade, são poucas as crianças que apresentam as lesões em pele ou boca. Após o contágio inicial (tendo ou não apresentado as manifestações clínicas), o vírus fica "dormente" dentro do organismo e só volta a apresentar manifestações clínicas a partir da adolescência. As manifestações clínicas que acontecem na fase adulta ocorrem pela reativação do vírus que estava "dormente" e estão, geralmente, ligadas à queda de imunidade.
Quais as causas da reativação do vírus?
Alguns fatores desencadeantes comuns são: febre, exposição ao sol, distúrbios gastrointestinais, trauma mecânico, estresse e períodos menstruais.
Como são as lesões recorrentes?
As manifestações secundárias não são tão graves como as da primo-infecção. As lesões restringem-se, na maioria dos casos, à região perioral ou perinasal, aparecendo na forma de pequenas bolhas que estouram e são recobertas por uma crosta durante o processo de cicatrização. O curso clínico da estomatite herpética secundária finda em torno de 8 dias.
Existe cura para o herpes?
Não, mas existe tratamento. O tratamento visa diminuir a freqüência com que os episódios ocorrem. Atualmente, os tratamentos envolvem drogas como o aciclovir, empregadas de forma local e sistêmica, e aplicações de laser de baixa intensidade.
Referência: Revista da APCD.
Aftas
Lesões brancas da mucosa oral (tecido de revestimento interno da boca), muito comuns e que incomodam muito.
AFTA ou "aphta vulgaris" é uma lesão vesiculosa da mucosa da boca, que ocorre habitualmente nas bochechas, lábios e língua; raramente no céu da boca e na gengiva. Elas podem aparecer individualmente ou em grupos e, geralmente é recidivante.
A(s) vesícula(s) rompe(m)-se rapidamente, de modo que a afta é vista mais freqüentemente como uma úlcera rasa, arredondada, de fundo amarelado e bordas avermelhadas, cujo diâmetro médio é da ordem de 5 mm. São bastante dolorosas, principalmente nos primeiros 3 a 5 dias. A lesão dura de 10 a 14 dias e a mucosa oral se recupera totalmente, não deixando cicatriz.
Etiologia desconhecida
As úlceras tendem a aparecer quando o paciente passou por algum tipo de stress físico ou emocional. Recentemente cientistas tendem a classificar as aftas orais entre as vasculites, que são doenças inflamatórias auto-imunes.
A Estomatite Aftosa Recorrente, uma de suas formais mais comuns, se manifesta normalmente sem qualquer outra doença paralela específica, constituindo-se em uma doença inflamatória em si mesma.
Pacientes com outras doenças podem ter aftas mais freqüentemente:
a - Deficiências imunológicas humorais (deficiências de imunoglobulinas)
b - Doença Celíaca
c - Doença de Behcet
d - Doença de Crohn
e - AIDS
f - Citomegalovírus
g - Anemias
h - Distúrbios gastrointestinais passageiros.
Em crianças os vírus coxsackie A, coxsackie B, echovírus e enterovírus podem causar estomatite, doença caracterizada pelo aparecimento de lesões múltiplas, semelhantes a aftas.
Como diagnóstico diferencial, a gengivo-estomatite herpética aguda se apresenta com vesículas mais resistentes, geralmente muito pequenas e conglomeradas.
Fatores agravantes
Qualquer lesão na mucosa bucal pode produzir afta, desde um arranhão causado pela escova de dentes, até queimaduras ou ferimentos causados por alimentos quentes ou muito ásperos, aparelhos ortodônticos, etc.
Algumas pessoas evitam alimentos ácidos, tais como frutas cítricas (limão, laranja, tangerina, abacaxi, etc.), tomate, vinagre, molhos, etc., pois acreditam que estes alimentos desencadeiam o aparecimento das úlceras.
Mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolver aftas do que homens. O mesmo ocorre com pessoas cujos pais têm aftas habitualmente.
Tratamento: não há
Algumas medidas podem ser tomadas para aliviar o desconforto, principalmente nos primeiros 3 ou 4 dias em que as lesões estão mais doloridas:
1) bochechos, 3 a 4 vezes ao dia, com 1 colher de sobremesa de água oxigenada 10 vol diluída em 1/2 copo de água morna.
2) bochechos, 3 a 4 vezes ao dia, com 1 colher de chá de sal e 1colher de chá de bicarbonato de sódio diluídas em 1/2 copo de água morna.
3) evitar alimentos ácidos. Não se tem notícia que vitaminas ou alimentos especiais possam ajudar, a não ser que haja uma deficiência específica. Embora o stress possa causar ou fazer eclodir aftas, medicamentos tranqüilizantes também são, aparentemente, de pouca ajuda.
4) evitar o uso de agentes cáusticos no local, pois, apesar de diminuir a dor, eles provocam a destruição do tecido, fazendo com que a úlcera se torne mais profunda e sujeita a infecções.
No caso de dor intensa, medicação analgésica por via oral pode ajudar
Quem usa aparelhos ortodônticos pode ter aftas devido ao traumatismo constante. A aplicação de cera de uso odontológico no local responsável pelo traumatismo costuma ajudar.
Se a causa do problema for prótese dentária, o dentista deverá ser consultado.
Nos casos prolongados (mais de 2 semanas), uma visita ao dentista é recomendada.
Boca Seca
A boca seca - conhecida, na área da Saúde, como xerostomia - é causada pela diminuição na produção de saliva. Acomete, com intensidade e duração variáveis, em um grande número de pessoas e suas causas podem variar consideravelmente.
São exemplos de causas:
• A idade avançada (com o passar da idade, as glândulas salivares vão se atrofiando).
• O efeito colateral de certos medicamentos, tais como anti-hipertensivos, antidepressivos, tranqüilizantes, anti-histamínicos e anti-colinérgicos.
• Hábitos e vícios, como o alcoolismo e a ingestão de alimentos ricos em cafeína.
• A Síndrome de Sjõgren, na qual o organismo da própria pessoa reage contra as glândulas salivares.
• A diabete mellitus, na qual a boca seca é um achado freqüente.
• Cânceres na região de cabeça e pescoço (as pessoas que são tratadas com radioterapia podem ter suas glândulas afetadas permanentemente pela radiação).
• Problemas psiquiátricos (certas psicoses e estados de ansiedade podem causar falta de saliva).
• Doenças congênitas: existem pessoas que nascem sem as glândulas salivares (agenesia congênita).
Por que a saliva é tão importante?
A saliva tem papel importante na formação do bolo alimentar, favorecendo a digestão e deglutição; proporciona uma lavagem físico-mecânica, facilitando uma melhor movimentação da língua e demais músculos; atua na proteção da mucosa da boca; controla a microbiota bucal; estabelece e mantém o pH do meio, atuando no processo da cárie dental.
O que é exatamente a saliva?
A saliva apresenta um pH neutro e é composta por 99% de água. A outra parte é constituída por proteínas, como enzimas, imunoglobulinas responsáveis pelos anticorpos salivares, além de outros compostos, como bicarbonato, sódio, potássio, cálcio, cloreto e flúor.
O que a boca seca pode causar?
Cáries, candidíase (doença fúngica), doenças gengivais e infecções nas glândulas salivares.
Quais são os sintomas?
Em função da falta de saliva, o indivíduo pode ter mau hálito, dificuldades para falar e engolir, intolerância a próteses, dor na língua, perda do paladar e alteração de voz.
Qual o tratamento indicado? O primeiro passo para o tratamento é o diagnóstico correto: o paciente que perceber os sinais e sintomas associados à boca seca deve procurar o cirurgião-dentista. Os tratamentos variam em função da causa: se a xerostomia tiver origem medicamentosa, o cirugião-dentista deverá entrar em contato com o médico do paciente para estudarem a possibilidade de substituição do medicamento por outro que não afete a produção de saliva. Nos casos de perda irreversível da produção de saliva (radiação, Síndrome de Sjõgren, idade avançada, agenesia congênita), existe a possibilidade de minimizar o problema com uso de saliva artificial manipulada ou comercial, gomas de mascar sem açúcar e medicamentos que estimulem a salivação, além da orientação quanto à dieta com proteínas e vitaminas. O paciente com xerostomia, independentemente da causa, deverá ser acompanhado pelo profissional em intervalos menores para orientação de higiene oral constante, aplicação de flúor e tratamento gengival básico. O paciente deverá manter-se sempre bem hidratado, ingerindo água ou outra bebida sem açúcar e evitando o consumo de bebidas com álcool ou cafeína. Se os lábios estiverem secos, pode ser indicado o uso de lubrificantes à base de vaselina. Durante as refeições, devem-se preferir alimentos moles, úmidos e pouco condimentados. Nos casos onde exista também infecções fúngicas, o profissional poderá indicar bochechos com antifúngicos.
Referência: Revista da APCD.
Dente de Leite
Devo me preocupar em caso de atraso na vinda dos primeiros dentes de leite?
Não, pois a idade média normal para o nascimento é por volta de 6 meses de idade. Um atraso em torno de mais 6 ou 8 meses ainda poderá ser considerado dentro dos padrões da normalidade em nossa população. Também poderemos ter dentes de leite que erupcionam (nascem) antes do prazo médio, ou seja, logo após o nascimento ("dente natal"), ou por volta de 2 a 3 meses de idade ("dente neonatal"). Se isso ocorrer, procure o odontopediatra.
Quando nascer os dentes do bebê, poderá ocorrer febre ou diarréia?
Sim. Ao nascimento dos dentes do bebê, poderão ocorrer alguns sintomas, como coceira e abaulamento da gengiva, com aumento da salivação, estado febril, e até as fezes podem ficar mais líquidas. Para ajudar o rompimento dos dentinhos e melhorar esse desconforto, deveremos oferecer ao bebê alimentos mais duros e mordedores de borracha para massagear a gengiva.
Se os dentes de leite são temporários, por que é importante tratá-los?
A presença dos dentes de leite é muito importante porque prepara o caminho (guia) para a erupção dos dentes permanentes, mantendo em equilíbrio harmônico o crescimento das estruturas da face (dentes, ossos e músculos); proporciona uma mastigação e deglutição adequadas dos alimentos e conseqüente digestão. Um dente de leite comprometido seriamente por um processo de cárie poderá levar a uma infecção, acarretando a má formação do dente permanente. Além disso, quando deparamos com crianças esteticamente comprometidas, percebemos que ocorrem nelas uma dificuldade de comunicação e integração social.
No caso de perda do dente de leite por trauma (bater a boca), qual procedimento deverá ser tomado?
Se a criança bater a boca, deverá procurar o odontopediatra, para o exame e a radiografia da região atingida, fazendo uma avaliação do caso. Se houver trauma, guardar o fragmento em soro fisiológico, para tentar o procedimento clínico de colagem. Caso ocorra perda do dente, levar o mesmo, em soro fisiológico ou leite, ao odontopediatra, onde será feita a avaliação do procedimento adequado.
O uso da mamadeira estraga os dentes?
O uso da mamadeira após a erupção dos dentes poderá levar a chamada cárie de mamadeira, quando apresentar um uso descontrolado e contínuo. O fato de se adicionar outro componente, como açúcar e cereais, leva a um aumento da cárie. Também recomendamos que a mamadeira noturna seja suspensa tão logo erupcione o 1º dente; caso haja dificuldade, poderá se oferecer água pura. Assim, a Academia de Pediatria Americana recomenda que o uso da mamadeira deverá ser interrompido dos 9 meses ao 1º ano de vida. Essa redução deverá ser gradual.
Quando deve ser iniciada a escovação dos dentes de leite?
A escovação dos primeiros dentes deverá ser iniciada assim que estes estejam erupcionando, com escova infantil e de cerdas macias. Antes da erupção dos dentinhos, a boca e a gengiva do bebê já deverão ser limpas com a ponta de uma fralda ou com gaze embebida em água filtrada. Os hábitos de higiene, aprendidos quando criança, serão levados para a vida adulta.
A aplicação do flúor deve ser iniciada na dentição de leite?
A aplicação de flúor no consultório dentário deverá ser iniciada já na dentição de leite (dentição decídua), assim que esta esteja completa por volta de 2 anos e meio a 3 anos de idade. 0 flúor é um dos agentes importantes na redução da cárie dentária (que é uma doença infecto-contagiosa), em conjunto com outros métodos de prevenção, tais como a escovação e a dieta equilibrada, além do consumo de água fluoretada.
0 uso da chupeta (ou mesmo chupar o dedo) faz os dentes entortarem?
Sim. A chupeta ou a sucção do dedo,leva a um desequilíbrio das arcadas dentárias e à má posição dos dentes. 0 hábito da chupeta deverá ser interrompido por volta dos 3 anos de idade, quando a criança já está consciente de suas vontades e não requer mais a compensação de sugar. Portanto, devemos encorajá-la a deixar o hábito, sendo, às vezes, uma troca agradável e consciente. A retirada do hábito de sucção do dedo requer mais consciência por parte da criança, força de vontade e sua colaboração, que poderá acontecer um pouco mais tarde. Nos casos mais severos, a avaliação de um psicólogo é recomendável.
0 uso de antibiótico pode manchar os dentes de leite?
0 antibiótico que mais poderá levar a manchas nos dentes de leite é a tetraciclina, quando administrada durante a gestação em grande quantidade e longa duração. 0 mesmo pode acontecer para os dentes permanentes quando administrado à criança logo após o nascimento.
Referência: Revista da APCD.
Hipersensibilidade Dentinária (hiperestesia)
Dor que ocorre, geralmente na região do colo do dente, próxima à gengiva, provocada pela escovação, ingestão de alimentos frios, doces, frutas cítricas etc. A dor cessa assim que o estímulo é removido, é de curta duração, tendendo a desaparecer com a mesma rapidez com que se inicia.
A hipersensibilidade nunca começa espontaneamente como acontece comumente com outras causas de dor nos dentes. Entretanto, a distinção entre hipersensibilidade e dor de dente deve ser feita pelo dentista.
A hipersensibilidade significa que a polpa dental (o "nervo" do dente) está doente?
Não, já que a dor é decorrente de mudanças de pressão dentro do dente, provocadas pela variação da temperatura ou por outros estímulos na superfície. Não tem relação com alterações patológicas da polpa dental.
Então, por que o dente dói?
Em condições normais, a coroa do dente (a parte exposta na cavidade bucal) é recoberta pelo esmalte, estrutura resistente às pressões e ao desgaste decorrentes da mastigação (Figura 1). Essa estrutura é praticamente impermeável e definitivamente insensível aos estímulos. As raízes são recobertas por outro tipo de estrutura, denominada cemento. Com o passar do tempo, esmalte e cemento sofrem degradações (Figura 2) que expõem a dentina, estrutura também dura e resistente e que abriga a polpa dental. Dessas estruturas, somente a dentina apresenta sensibilidade. A dentina é bastante permeável, constituída de milhões de canais microscópicos (Figura 1) que, em teoria, ligam a polpa com meio externo quando o esmalte ou o cemento são desgastados. Sem o cemento e o esmalte, a dentina fica sem proteção e sujeita às agressões do meio externo.
Qual a relação da hipersensibilidade dentinária com as lesões cervicais não cariosas?
A hipersensibilidade dentinária ocorre mais comumente na região cervical do dente (colo), onde o esmalte e o cemento são degradados com maior freqüência, expondo a dentina. Quando essa exposição dentinária não é provocada por processo de cárie dental, a área exposta é considerada uma lesão cervical não cariosa (Figura 2). A prevalência dessas lesões é alta, e pode-se antecipar que, em algum momento da vida, qualquer indivíduo poderá ter, pelo menos, um dente com lesão cervical não cariosa.
Quais as causas mais comuns de lesões cervicais não cariosas?
Essas lesões são resultado de uma interação de fatores, em que os mais importantes são a oclusão (contato entre os dentes antagonistas), a alimentação rica em ácidos (frutas cítricas e refrigerantes em excesso, por exemplo) e a escovação dental. A oclusão promove a fadiga das estruturas dentárias na região do colo, as substâncias ácidas causam a dissolução do esmalte e a escovação remove mecanicamente o esmalte enfraquecido ou dissolvido. Fatores sistêmicos também podem contribuir para a degradação das estruturas dentárias, tais como refluxo gastroesofágico, bulimia, hipertireoidismo e qualquer outra doença que reduza o fluxo salivar.
Como tratar a hipersensibilidade dentinária?
O dentista deve empregar os recursos dessensibilizadores (o que pode incluir a restauração das lesões e ajustes oclusais) para reduzir o desconforto imediato da dor e, complementarmente, eliminar as causas da exposição dentinária para impedir a recorrência da hiperestesia.
Referência: Revista da APCD.
Amamentação
Crianças aleitadas no peito têm melhor desenvolvimento mental e maior equilíbrio emocional.
Amamentação e a odontologia
A amamentação tem sido incentivada por ser o leite materno não só o alimento mais completo e digestivo para crianças de até um ano de idade, como também por ter ação imunizante, protegendo-as de diversas doenças. A amamentação é gratificante para a mãe e interfere beneficamente na saúde da mulher, por exemplo, diminuindo a probabilidade de câncer de mama, ajudando na involução do útero e na depressão pós-parto. Hoje, diz-se que o leite materno é ecologicamente correto, pois não consome recursos naturais em sua produção e não gera lixo, como ocorre com os leites artificiais, além de ser mais barato. Porém, poucos sabem que a amamentação tem reflexos futuros na fala, respiração e dentição da criança.
Um exercício muito Importante
Quando a criança é amamentada, está não só sendo alimentada, como também fazendo um exercício físico importante para desenvolver sua ossatura e musculatura bucal. Ao nascer, o bebê tem o maxilar inferior muito pequeno, que irá alcançar equilíbrio no tamanho em relação ao maxilar superior tendo seu crescimento estimulado pela sucção do peito. Toda a musculatura bucal é desenvolvida, músculos externos e internos, que, solicitados, desenvolvem os ossos. Mamar no peito não é fácil, daí o bebê ficar bastante transpirado. Esse exercício é o responsável inicial no crescimento harmonioso da face e dentição. Usando mamadeira, esse exercício é quase inexistente, e a preferência do nenê pela mamadeira vem da facilidade com a qual ele ganha o leite, principalmente quando este flui por um furo generoso no bico. Para exercitar-se com maior eficiência, a posição durante a mamada é importante: a criança deverá ficar o mais verticalizada, o que também facilita a deglutição do leite.
Uma atitude na tentativa de evitar apinhamento dental (dentes "encavalados")
Maxilares melhor desenvolvidos propiciarão um melhor alinhamento da dentição, diminuindo a necessidade futura do uso de aparelhos ortodônticos. Músculos firmes ajudarão na fala. Durante a amamentação, aprende-se a respirar corretamente pelo nariz, evitando amigdalites, pneumonias, entre outras doenças. Quando a criança respira pela boca, os dentes ressecados ficam mais expostos à cárie e as gengivas ficam inflamadas, os maxilares tendem a sofrer deformações e os dentes, a ficar "encavalados", aumentando também o processo de cárie.
A amamentação prepara o bebê para a mastigação
A mamadeira costuma tornar-se uma companheira para a criança ao longo de anos, habituando-a a uma dieta mole e adocicada, que aumenta o risco de cáries (cárie de mamadeira); a criança tende a recusar alimentos que requeiram mastigação. Depois da amamentação, a mastigação correta continuará a tarefa de exercitar ossos e músculos. A amamentação prepara a criança para a mastigação. Muitas mães reclamam que seus filhos, já crescidos, não mastigam corretamente e recusam verduras e frutas, apreciando apenas doces e iogurtes. Esquecem-se essas mães de que o que os habituou a essa dieta foi o uso prolongado da mamadeira. Mastigação incorreta pode levar também a problemas de obesidade e de estômago.
Evitando Hábitos prejudiciais
Atrelada à mamadeira, vem a chupeta, que também é usada normalmente por muito tempo, e o hábito de chupar o dedo, afetando o posicionamento dos dentes e trazendo também conseqüências danosas à fala e à respiração.
Abandonando a mamadeira
A partir dos quatro meses, quando a mãe lentamente começar a introduzir outros alimentos (desmame), deverá fazê-lo usando apenas copos e colheres, evitando o uso de mamadeira ou "chuquinha".
Prevenindo a cárie
A primeira consulta odontológica de uma criança deveria ser antes do nascimento de seu primeiro dentinho. Nesse primeiro encontro, o odontopediatra orientaria a respeito da higienização, dieta e como proceder quando os dentes começarem a irromper e a incomodar o bebê. Entre outras coisas, aconselharia os pais a acostumarem-se a levar seus bebês ao dentista, assim como os levam ao pediatra, no sentido de se poder acompanhar de perto o desenvolvimento destes na tentativa da erradicação da doença cárie.
Referência: Revista da APCD.
Bruxismo
Hábito parafuncional de ranger os dentes e constitui um dos mais difíceis desafios para a odontologia restauradora, sendo que a dificuldade para sua resolução aumenta de acordo com a gravidade do desgaste dentário produzido.
Fisiopatologicamente, o esmalte dentário é o primeiro a receber os prejuízos do bruxismo, e o desgaste anormal dos dentes é o sinal mais freqüente da anomalia funcional.
O padrão de desgaste dental do bruxismo prolongado é, freqüentemente, não uniforme e mais severo nos dentes anteriores.
A importância do bruxismo ainda se deve à sua relação com a dor muscular da articulação temporomandibular e alguns tipos de cefaléia.
Pode ser definido como um hábito parafuncional que consiste em movimentos involuntários ritimados e espasmódicos de ranger ou apertar os dentes, ocorrendo normalmente durante o sono.
Alguns autores dividem o termo bruxismo em cêntrico, ato de apenas apertar os dentes, ou excêntrico, onde além de apertar os dentes há também o ranger dos dentes, porém, ambos sempre involuntários.
Há discrepância sobre a definição precisa do bruxismo, alguns autores definindo-o como atividade parafuncional diurna ou noturna e outros alegando-o exclusivamente durante o sono. De modo geral diz-se bruxomania para definir esse movimento de apertar, ou ranger dos dentes, quando a pessoa se encontra acordada.
É importante destacar, para entendimento conceitual, que o bruxismo não é necessariamente uma doença. Trata-se mais de uma disfunção. É perfeitamente possível que alguns portadores de bruxismo não tenham maiores conseqüências para o sistema mastigatório. O aspecto mórbido ou doentio pode ser pensado quando este hábito funcional leva à algum prejuízo do sistema mastigatório ou desencadeia sintomas de desordens temporomandibulares, como por exemplo, a artrite temporo-mandibular (ATM).
O bruxismo noturno pode ocorrer em praticamente todos os estágios do sono, sendo observado predominantemente no estágio II e virtualmente ausente nos estágios III e IV, mais profundos. Quando relacionado ao sono, o bruxismo envolve movimentos rítmicos semelhantes ao da mastigação intercalados por longos períodos de contração dos músculos mandibulares. Essas contrações costumam ser fortes e até superar aquelas realizadas durante a mastigação normal consciente. Costumam durar o suficiente para produzir fadiga e dor muscular.
Incidência e Curso
Alguns trabalhos estimam entre 6 e 20% dos adultos e em torno de 14% das crianças a incidência do bruxismo. Entretanto, sinais e sintomas de bruxismo são observados entre 80% e 90% das populações estudadas, sugerindo que, ou essas pessoas apresentam bruxismo inconscientemente ou já o tiveram. Parece ainda que o bruxismo diminui com a progressão da idade, predominantemente depois dos 50 anos. Quanto à distribuição nos sexos, alguns autores encontraram uma maior freqüência do Bruxismo em mulheres.
Causas (Etiologia)
As causas normalmente estariam relacionadas a fatores psicológicos, como tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações e estresse. A freqüência e a severidade do Bruxismo pode variar a cada noite, e parece estar altamente associado ao estresse emocional e físico.
Prognóstico e Conseqüências
Hábitos funcionais do tipo bruxismo costumam levar ao desgaste dentário, má oclusão severa, trauma oclusal, fratura dentária e dores em determinados componentes do sistema mastigatório. O bruxismo é considerado uma das causas das desordens temporomandibulares devido à possibilidade de desencadear dor ou disfunção na musculatura mastigatória e /ou articulação temporomandibular.
Tratamento
Atualmente a odontologia tem optado pela utilização de uma placa estabilizadora, de resina acrílica, que respeite os conceitos de máxima estabilidade mandibular em relação cêntrica e movimentos excêntricos harmoniosos através de guias específicas (protrusivas e caninas). A função da placa estabilizadora seria para proteger os dentes e demais componentes do sistema mastigatório durante as crises noturnas de bruxismo. Além disso a placa ainda reduziria a atividade elétrica de músculos elevadores da mandíbula, como masseter e temporal, reduzindo assim a atividade tensional.
Entretanto, a colocação de placas constitui-se num tratamento, digamos, sintomático. O ideal seria o tratamento dos estados tensionais, estressantes ou ansiosos que produzem o bruxismo.
Referências: Ballone GJ - Bruxismo, in. PsiqWeb. / foto bruxismo / lápis Revista da APCD.
Dores Orofaciais
O que é dor orofacial? Que profissional trata esse problema?
A dor orofacial é uma condição de dor associada aos tecidos da cabeça, face, pescoço e estruturas da cavidade oral. Incluem-se, entre outras, as dores de cabeça, dores com origem no sistema nervoso, dores psicogênicas (relacionadas com fatores psicológicos) e dores por doenças graves, como tumores e AIDS. O tratamento deve ser realizado por uma equipe de profissionais: dentistas, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, pois essa condição deve ser abordada com uma visão do paciente como um todo, não se tratando apenas a dor no momento em que o indivíduo a está sentindo.
Quais as dores mais comuns na região da face?
As dores de origem dentária continuam sendo as mais comuns na população em geral, mas levantamentos sobre atendimentos de pacientes que apresentam disfunções da articulação temporomandibular (ATM, a articulação do osso temporal com o osso mandibular) demonstram que a dor está presente em 97% dos casos.
Quais as dores na face que não estão associadas com os dentes?
Existem várias dores que se refletem (denominadas "dores referidas") na face e não têm origem dentária, como as dores por otite e sinusite, dores na articulação, dores musculares nas costas, no pescoço e nos músculos da mastigação, dores nos nervos faciais, como as neuralgias, dores causadas por infecções e ulcerações da mucosa bucal, dores com origem nos olhos, glândulas salivares, lacrimais e mucosa nasal e a dor relacionada com a síndrome de ardência bucal (dor crônica e "queimação" em toda a boca, sem que existam lesões na mucosa).
Meu dentista disse que tenho disfunção da ATM, pois sinto dores e desconforto ao abrir a boca. O que isso significa?
A disfunção da ATM é uma anormalidade da articulação temporomandibular e/ou dos músculos responsáveis pela mastigação. Na verdade, a disfunção da ATM é um subgrupo das dores orofaciais. Deve ser feito um minucioso exame clínico e questionário para se obter um correto diagnóstico, pois, muitas vezes, as disfunções da ATM podem ser confundidas com outras condições dolorosas, como dores de origem dentária e infecções bucais.
Quem tem um estalido na articulação terá também dor com o passar do tempo? E quem tem bruxismo (ranger de dentes)?
O estalido na ATM pode permanecer por algum tempo e até desaparecer, o que ocorre mais comumente em crianças e jovens, ou pode evoluir para o travamento da mandíbula, com eventual aparecimento de dor. Afirmar que todo estalido será seguido de dor em alguma fase da vida não seria correto, pois há indivíduos que têm estalido por muito tempo sem ter dor. Quanto às pessoas que têm bruxismo, muitas não desenvolvem dor. Existem estudos que sugerem que, se o indivíduo tem predisposição para disfunção temporomandibular, rangendo os dentes, as chances de a dor aparecer são maiores.
Por que, quando estou mais ansioso e estressado, sinto dores ao mastigar, ao falar e até ao acordar?
O estresse e a ansiedade geram a descarga em nosso corpo de substâncias que atuam como estimulantes para tensão muscular, ativação do sistema nervoso e do sistema de secreção (endócrino), o que leva o indivíduo a ter certas reações que, em períodos de relaxamento, ele não vivencia. O apertamento dos dentes é muito comum nessa condição de estresse e é uma das causas mais freqüentes de dores musculares na face e na articulação.
As dores de cabeça podem estar relacionadas com problemas da articulação ou de origem dentária?
As dores de cabeça podem ter origem nos dentes, nos músculos e na articulação. Quando a origem é dentária, a dor de cabeça é difusa, e o paciente relata o envolvimento dos dentes. A dor de cabeça pode ter origem em músculos da face ou nas articulações e ser uma dor referida também aguda, com limitação da abertura de boca e dor durante a mastigação e fala.
Existe a possibilidade de a dor de um dente permanecer mesmo após a sua extração?
Existe um tipo de dor cuja origem se encontra em estruturas do sistema nervoso e que passa por dor dentária, quando, na verdade, a origem da dor não é o dente, apesar de a sensação dolorosa estar nele. O indivíduo tem "certeza" de que um determinado dente ou região dói e pede para o dentista tratar os dentes dessa região ou até extraí-los. Na verdade, o que ocorre é uma dor referida para o elemento dentário. Quando o dente é removido, a dor não desaparece, pois o real agente causador não era o dente, e sim outras estruturas que referiam a dor.
Orientações sugeridas por Dra. Célia Monaro Bianchini, Cirrgiã Dentista com residência em Clínica de Dor Orofacial e Disfunção da ATM em Rochester, EUA. Revista da APCD V. 54 - nº 2 - MAR/ABRI 2000
Implantes Dentários
Os implantes odontológicos são parafusos feitos de titânio que são colocados no interior dos osso da mandíbula e da maxila para que se possa substituir dentes perdidos.
Esses parafusos funcionam como raízes artificiais, substituindo as raízes perdidas, que suportam sobre elas coroas de porcelana, que simulam dentes naturais, devolvendo função de mastigação e estética ao paciente.
Sua osseointegração (adaptação ao tecido ósseo) ocorre em aproximadamente 98% dos casos, sendo alta sua chance de sucesso.
As cirurgias não são dolorosas sendo feitas, hoje em dia, de forma rápida e com pouco desconforto pós-operatório.
Qualquer pessoas com estrutura óssea adequada e boa saúde geral está apta a receber implantes.
Qualquer paciente pode receber implantes?
Praticamente todos os pacientes em bom estado geral (que não apresentem doenças de ordem médica) podem receber implantes dentários. Alguns fatores podem influenciar no sucesso do tratamento, como, por exemplo, o fumo e a diabetes, devendo ser avaliados previamente. O procedimento de implantação oral é um ato cirúrgico e uma adequada avaliação é necessária antes de qualquer cirurgia bucal.
Por que alguns pacientes precisam de enxertos ósseos?
A necessidade de enxertos ósseos é freqüente. Eles podem ser feitos em uma cirurgia prévia à implantação e, nesse caso, os implantes serão colocados após um período de cicatrização óssea de 6 a 12 meses. Quando possível, o enxerto é realizado na mesma cirurgia de colocação dos implantes.
É preciso realizar algum tratamento antes de colocar os implantes?
Em alguns casos sim. Deve-se eliminar qualquer processo infeccioso pré-existente na cavidade oral, ou seja, tratamento periodontal (gengival), extração de dentes com focos de infecção bem como tratamentos endodônticos (canais) devem ser realizados anteriormente à implantação. Todos esses aspectos fazem parte de um planejamento inicial realizado pelo profissional, que deve ser discutido abertamente com o paciente, antes do início do tratamento.
Dói muito para colocar os implantes?
Não. Obviamente trata-se de um procedimento cirúrgico e um certo edema (inchaço) é esperado, especialmente nos primeiros 5 dias pós-operatórios. O edema é tanto maior quanto maior o porte da cirurgia. Cirurgias de enxerto ósseo costumam provocar maior trauma. Entretanto, existem medicações específicas para o controle da inflamação pós-operatória, assim como antibióticos (remédios que combatem infecção) e analgésicos, que o cirurgião poderá prescrever em caso de necessidade.
Quanto tempo demora o tratamento?
Depende de cada caso. Após a colocação, os implantes permanecem em repouso por um período que varia de 2 a 6 meses, para que ocorra o fenômeno biológico da osseointegração (união direta do titânio ao osso), após o qual os implantes são descobertos e uma prótese dentária é conectada ao implante por meio de uma parte secundária denominada "abutment" ou pilar. Em casos que envolvem enxerto ósseo, o tratamento fica inevitavelmente mais longo. Em alguns casos específicos, a prótese pode ser instalada já no dia da cirurgia de implantação.
Existe perigo de rejeição?
Não. A taxa de sucesso dos implantes osseointegráveis é alta, havendo diversos estudos científicos comprovando sua eficácia, mesmo após muitos anos em função mastigatória. Existe, porém, uma possibilidade pequena de perda do implante (não ocorrência da osseointegração), em torno de 2 a 3% dos casos, normalmente logo após o período de repouso pós-implantação. Nesses casos o implante é removido facilmente, podendo um novo implante ser recolocado no local.
Como devo cuidar dos implantes após o tratamento? Podem existir complicações relacionadas aos implantes?
Os implantes, assim como os dentes e gengivas, têm de ser muito bem limpos, utilizando-se os dispositivos (fio dental e escova) recomendados pelo seu cirurgião-dentista.
A principal complicação biológica é a periimplantite (doença que acomete o osso e a gengiva ao redor do implante). Podem também ocorrer problemas relacionados a planejamentos de tratamento inadequados ou a implantes colocados em posições desfavoráveis. As complicações biomecânicas mais freqüentes são a fratura ou o afrouxamento dos pequenos parafusos que prendem as próteses. Fraturas de implantes podem ocorrer, embora sejam mais raras. O mais importante é o comparecimento regular do paciente às consultas de manutenção para prevenir ou diagnosticar precocemente qualquer alteração.
Orientações Sugeridas por Mauro Tosta - Coordenador do Curso de Formação em Implantodontia da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas - Regional Jd. Pauli
Anatomia Dental
Os dentes são órgãos calcificados implantados nos alvéolos e gengivas de ambos os maxilares. Sua principal função consiste em triturar e converter os alimentos em partículas diminutas que possam ser ingeridas e digeridas. Auxiliam na formação das palavras e contribuem a dar expressão ao rosto.
Dentição Decídua (criança) A. Incisivo Central Decíduo
B. Incisivo Lateral
C. Canino
D. Primeiro Molar
E. Segundo Molar
Dentição Permanente (adulto)
1. Incisivo Central Permanente
2. Incisivo Lateral
3. Canino
4. Primeiro Pré-Molar
5 Segundo Pré-Molar
6. Primeiro Molar
7. Segundo Molar
8. Terceiro Molar
Enquanto os dentes saudáveis contribuem para a manutenção da saúde, os dentes estragados e também gengivas doentes tendem a prejudicá-la, permitindo a entrada de germes que no interior do corpo irão se converter em focos de infecção, caminho aberto para outras afecções.
Os dentes são formados, em grande parte, de sais minerais, principalmente cálcio e fósforo, além de magnésio, flúor e outros elementos.
Cada dente é formado pela coroa e raiz. A coroa é revestida por esmalte e sob ele há a dentina, menos mineralizada que o esmalte, e protege a cavidade pulpar.
A polpa encerra vasos sangüíneos, nervos e tecido conjuntivo pouco espesso, com células nervosas especializadas.
A coroa, isto é, a camada dura do revestimento, recoberto de esmalte que protege o dente, pode apresentar duas ou mais protuberâncias em sua superfície mastigatória.
O esmalte, os materiais que formam o esmalte estão dispostos em prismas hexagonais microscópicos em sentido perpendicular à superfície do dente. Nessa formação entram o fosfato de cálcio, fosfato de magnésio e fluoreto de cálcio.
A raiz é revestida por cemento, e sob ele a dentina internamente à cavidade pulpar. Os ligamentos alvéolo-dentais prendem o dente ao maxilar, onde o osso da mandíbula lhe proporciona suporte e local para implantação.
O alvéolo é a estrutura de suporte do dente e por ser tecido ósseo possui cálcio.
As gengivas são tecidos moles que cobrem o osso alveolar como um prolongamento das membranas mucosas da boca, lábios e maçãs do rosto.
Afinal, quantos dentes?
A primeira dentição origina os chamados dentes de leite: 4 incisivos, 2 caninos e 4 molares em cada maxilar totalizando 20. Os incisivos ou cortadores acham-se na parte anterior dos maxilares, dois no centro e dois situados um em cada lado dos anteriores.
Em seguida vêm os caninos, de pontas agudas, depois seguem os molares, ou os dentes trituradores. A disposição é a mesma em ambos, os maxilares e lados direito e esquerdo.
A dentadura permanente compreende 32 dentes. Desses, 20 vêm substituir gradualmente os da dentição provisória. Atualmente, a troca de dente pode se iniciar na época dos 5 anos e meio e termina entre 11 e 14 anos, mas não há um rigor. Então há o surgimento dos primeiros molares permanentes e continua com os outros dentes incisivos centrais e laterais, primeiro e segundo pré-molares, caninos e segundo molar.
Os pré molares que substituem os de leite apresentam duas pontas na coroa, que os torna conhecidos, também, como bicúspides. O terceiro molar ou do siso pode aparecer entre os 16 anos em diante, ou mais tarde por estar incluso e não romper a gengiva.
Tanto na dentição de leite como na permanente observa-se às vezes a má oclusão, isto é, a colocação irregular dos dentes, e quanto mais rápido o(a) paciente for submetido(a) ao especialista em ortodontia, mais eficaz será o tratamento.
Câncer Bucal
O câncer bucal é um tumor maligno que se desenvolve a partir de uma célula que sofre uma série de alterações genéticas. Essas alterações influenciam a diferenciação, o crescimento e a morte celular. A célula "defeituosa", diferentemente das outras, passa a se multiplicar desordenadamente, transformando-se num corpo estranho ao organismo.
O câncer bucal é comum?
Sim, a incidência mundial de câncer bucal varia de país para país (2% a 8%). Canadá, Austrália e França têm taxas elevadas. A Índia é o país de mais alta incidência (48% a 70%) devido a práticas culturais exóticas, como o hábito de colocar o cigarro com a ponta acessa voltada para o interior da boca e o uso do betel. No Brasil, as taxas são elevadas (INCA -Instituto Nacional do Câncer, Ministério da Saúde, Brasil).
Quais são os fatores de risco para o câncer bucal?
Os principais fatores de risco são: uso do tabaco, consumo freqüente de bebidas alcoólicas e exposição excessiva à radiação solar. Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento do câncer bucal, como: má higiene bucal; dentes quebrados; próteses removíveis parciais ou totais mal adaptadas, com conseqüentes irritantes locais; dieta pobre em vitaminas A, C, E e o vírus HPV (papilomavírus humano). Outros fatores ainda estão sendo estudados para se verificar sua relação com o câncer bucal, como: o uso de chimarrão, o consumo de carne grelhada (churrasco) e a fumaça do fogão de lenha.
Se diagnosticado precocemente, quais as chances de cura do câncer bucal?
Quanto mais cedo for descoberto e adequadamente tratado, maior será a chance de cura e sobrevida do pa- ciente. A expectativa de cura varia de 85% a 100% quando o câncer é diagnosticado e tratado na fase inicial.
Como proceder ao auto-exame da boca?
Diante de um espelho, após retirar próteses ou outros aparelhos removíveis: 1) veja se em seu rosto há algum sinal que você não notou antes; 2) observe no lábio se há manchas ou feridas; 3) puxe o lábio de baixo e examine-o por dentro; faça o mesmo com o lábio de cima; 4) abra a boca e estique a bochecha; faça isso dos dois lados; 5) ponha a língua para fora e observe sua parte de cima; 6) puxe a ponta da língua para o lado direito e depois para o lado esquerdo e observe as laterais da língua; 7) coloque a ponta da língua no céu da boca e examine a parte de baixo da língua e o assoalho da boca; 8) incline a cabeça para trás e examine o céu da boca; 9) ponha a língua pra fora, diga "A, A, A,..." e observe a garganta.
Quais os sinais indicativos de alguma "anormalidade" na boca?
Feridas que não cicatrizam em 2 semanas; manchas brancas, vermelhas ou negras; carnes crescidas; caroços; bolinhas duras e inchaço na boca; dificuldade para movimentar a língua; sensação de dormência na língua; dificuldade para engolir. A presença de qualquer um desses sinais merece um exame mais detalhado, com encaminhamento do paciente ao cirurgião-dentista estomatologista.
Qual a freqüência recomendada para a realização do auto-exame da boca?
Para pessoas não-fumantes, recomenda-se fazer o auto-exame bucal a cada 6 meses e, para os fumantes, a cada 3 meses. O ideal é fazer 1 vez por mês para que qualquer alteração da normalidade da boca seja prontamente detectada.
Qual profissional deve ser procurado caso o paciente encontre alguma lesão na boca?
O cirurgião-dentista estomatologista é quem diagnostica e trata todas as lesões e doenças bucais. No caso de câncer bucal, após diagnóstico, o paciente é encaminhado para tratamento em centros especializados em Oncologia ou para o médico oncologista.
Referência: Revista da APCD.
Fluorose
Alteração que ocorre devido ao excesso de ingestão de flúor, durante a formação dos dentes.
Ela se manifesta principalmente pela alteração de cor do esmalte, que pode assumir uma tonalidade esbranquiçada ou exibir pequenas manchas ou linhas brancas. Nos casos mais graves, adquire uma coloração acastanhada ou marrom, podendo haver perda de estrutura dental; nesses casos, torna-se mais friável, mais fácil de desgastar fisiologicamente. Muitos trabalhos apontam como causa da fluorose a utilização de gotas e comprimidos contendo flúor, inclusive muitos complexos vitamínicos recomendados pelos pediatras. Atualmente, a maior causa de fluorose é a ingestão de produtos fluoretados em locais onde já existe água fluoretada, sendo que o mais comum é o dentifrício fluoretado, que muitas crianças engolem durante a escovação. O enxaguatório contendo flúor também poderá contribuir, se for indicado para crianças que ainda não tenham controle adequado da deglutição.
Durante a gravidez, devo ingerir suplementos de flúor?
Na gravidez não é necessário ingerir suplementos de flúor, pois sabe-se que a principal ação preventiva é a tópica, ou seja, a que se dá pelo contato do flúor na boca com os dentes. Além disso, na gestante que ingere água fluoretada, o flúor passa para o bebê através da placenta.
Pode ocorrer fluorose em dentes de leite?
A fluorose em dentes decíduos possui características semelhantes às da fluorose em dentes permanentes. Não é comum, pois só pode ocorrer nos dentes cuja mineralização se dá após o nascimento. A porção formada na vida intra-uterina, mesmo que a gestante ingerisse ligeiro excesso, receberia proteção da placenta, que é uma barreira semipermeável que deixa passar apenas uma parte do flúor circulante.
Quando ocorre fluorose nos dentes de leite, os permanentes também serão acometidos?
Não. A fluorose não passa de uma dentição para outra, pois ela ocorre durante o período de formação dos dentes, e dentes de leite e permanentes se formam em épocas muito diferentes. Mesmo na dentição permanente ela pode afetar alguns dentes e não afetar outros, ou ainda afetar dentes diferentes com grau de severidade diversos. Tudo depende da época que ocorreu o excesso de ingestão e da época de formação dos dentes. O período de maior risco para a ocorrência de fluorose é até os 6 anos de idade, quando estão se formando as coroas dos dentes anteriores, pois se sabe que o maior problema da fluorose é quanto à estética.
Os dentes com fluorose são mais fracos?
Correm maior risco de ter cárie? Os dentes com fluorose são ligeiramente mais resistentes à cárie dental, mas não são imunes a ela. Portanto, se o indíviduo tiver dieta e microrganismos cariogênicos, exibindo atividade de cárie, deve receber a mesma atenção preventiva que outro paciente sem fluorose.
Se eu usar dentifrício fluoretado para escovar os dentinhos do meu filho de 2 anos, ele correrá o risco de ter fluorose?
Ele corre o risco de ter fluorose se o dentifrício for usado indiscriminadamente, sem cuidado. Se o seu filho engolir muito dentifrício, ele poderá apresentar fluorose, principalmente se morar em região com água fluoretada (como São Paulo, por exemplo). Isto ocorre porque nessa idade as crianças ainda não sabem controlar a deglutição e nem cuspir adequadamente e acabam ingerindo quantidade acima daquela segura para seu peso. Recomenda-se a utilização de quantidade mínima na escova de dentes (semelhante a um grão de arroz), sempre sob supervisão dos responsáveis, e alguns profissionais recomendam o uso de dentifrícios sem flúor.
Meu filho de 12 anos faz aplicação de flúor no dentista, usa pasta fluoretada e faz bochechos diariamente com solução fluoretada. Ele corre o risco de ter fluorose?
Não, pois todos os seus dentes já estão com as coroas formadas nessa idade. Entretanto, nem sempre é necessário usar todos os tipos de produtos com flúor disponíveis no mercado: o dentifrício deve ser utilizado por todos os indivíduos, mas os bochechos e as aplicações tópicas profissionais devem ser utilizados levando-se em consideração a atividade de cárie de cada um.
O que fazer nos casos de fluorose?
A descoberta da fluorose não traz grandes mudanças do ponto de vista prático, a não ser nos casos em que a estética é muito prejudicada e começa a incomodar o paciente. A maioria dos casos observados atualmente são de fluorose muito leve ou leve, em que as manchas ou linhas brancas ficam disfarçadas quando o dente está úmido, não sendo necessário nenhum tratamento; se for necessário melhorar a estética, existem algumas técnicas disponíveis, que vão de um microdesgaste do esmalte até técnicas restauradoras tradicionais. Mas, do ponto de vista prático, o mais importante é prevenir.
Referência: Revista da APCD.
O Mau Hálito tem Solução?
Quatro entre dez pessoas sofrem de mau hálito. Apesar da grande incidência, poucos vêem o problema como uma doença que precisa ser tratada. As causas são muitas, mas os profissionais da Odontologia garantem que este mal tem cura.
Quem já não teve ou já não conheceu alguém que tivesse um mau hálito? O problema, conhecido também como halitose, atinge quatro entre dez pessoas, podendo tornar-se um entrave também social. Isto ocorre porque o portador do mau hálito acaba tendo vergonha de se expor, de conversar e de conviver socialmente. É também bastante comum a pessoa não conseguir progredir no campo profissional porque não se sente à vontade para estabelecer um diálogo aberto, além de falar com a mão na boca.
O curioso em relação ao mau hálito é que os portadores não conseguem perceber o odor desagradável que exalam. Muitas vezes, são as pessoas que estão ao seu redor que notam o cheiro e ficam constrangidas em avisar. "É como quando você usa um perfume: acostuma-se com o cheiro e acaba não percebendo que está exalando", comenta Olinda Tárzia, professora do curso de Halitose da Faculdade e Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, de Campinas-SP, e autora do livro Halitose. "Mas as pessoas que estão ao seu redor sentem. Chamamos isso de fadiga olfatória", completa.
Ocasional ou crônica, são muitos os fatores que contribuem para a halitose. Estresse, falta de completa higiene bucal, ingestão de álcool, fumo, algumas dietas alimentares, uso de remédios controlados, doenças periodontais (de gengiva) e problemas no fígado e no estômago.
Todos esses fatores contribuem para uma redução na produção de saliva, o que cria um ambiente propício à instalação de microorganismos patogênicos na boca que, por sua vez, formam a placa bacteriana na língua, popularmente conhecida como saburra. Na língua, a fermentação provocada pelas bactérias libera substâncias ricas em enxofre, responsáveis pelo odor forte e desagradável. "É por este motivo que acordamos com mau hálito. Passamos grande parte da noite sem salivar enquanto dormimos", explica Olinda.
O outro fator que causa a baixa produção de saliva e aumenta a saburra com freqüência é o uso de medicamentos (betabloqueadores, anti-depressivos, remédios para o coração, anti-térmicos etc). Em casos de pacientes diabéticos, a halitose pode ser um alerta de pré-coma diabético. A cárie, por sua vez, só provoca o mau hálito quando em estágios muito avançados.
Para quem sofre com o problema, a cadeira do dentista pode ser o início do tratamento. "Muitas vezes, é um conjunto de motivos que causa a doença e é necessário cuidar de cada um para obter resultado", conclui.
Fonte: Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic